sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Recado que Vem das Urnas - Proporcionais

          Finalizando a sequência de posts que abordaram os resultados das eleições de 2010, na visão interna à política e ao marketing, abordaremos agora o âmbito das disputas regionais e municipais nas eleições proporcionais, onde podemos observar, mais uma vez – infelizmente –, que ainda há muito amadorismo na condução da comunicação e das campanhas. Isto prejudica a democracia, à medida que impacta diretamente na redução da representação política nas esferas estadual e federal de municípios localizados fora dos grandes centros e bem como, na chance e viabilidade dos "novos políticos" que são, ao fim e ao cabo, quem mais necessitariam do conselho profissional.
          E isto ocorre muito mais devido aos principais interessados, os candidatos, do que aos possíveis beneficiários, os eleitores. Apesar da forte ascendência política dos municípios brasileiros, a falta de articulação interna mostra-se como uma primeira falha no processo. Pois à medida que aumentam o número de candidatos disputando a “mesma vaga”, eleva-se, na mesma proporção, a chance de nenhum deles alcançá-la. Em segundo lugar, a falta de estrutura profissional e organizada das campanhas, que em sua maioria persistem no erro ingênuo de achar que apenas distribuir material de propaganda é o suficiente para ganhar votos.
          As campanhas eleitorais há tempos deixaram de ser intuitivas e se tornaram racionais, onde os palpites cederam lugar à pesquisa e os temas aleatórios agora têm origem em conceitos e estratégias pré-definidas. Dessa forma, a campanha eleitoral deixou para trás o amadorismo para se tornar profissional. Fato não compreendido pela maior parte dos candidatos, refletido diretamente no resultado das urnas.
          O trabalho profissional de planejamento de campanha e marketing eleitoral está cada vez mais ao alcance de todos, auxiliando a democracia à medida que facilita o ingresso na disputa política, além de tornar a comunicação mais concreta, com menor custo e com maior viabilidade para que a mensagem pertinente chegue de maneira clara ao eleitorado ideal.  Pois afinal,  o mais caro em uma eleição, com toda a certeza, é a derrota.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Recado que Vem das Urnas - MG

          Em Minas, por imposição da direção nacional do partido, o PT compôs com o PMDB a chapa para o governo, em que Hélio Costa foi o candidato, com Patrus Ananias como vice. O apoio à sua candidatura foi uma das exigências para a adesão do PMDB  a candidata à presidência Dilma Rousseff. No fim do processo de negociação da aliança, passou de exigência a condição principal.
          Contudo, a união forçada acabou, mais uma vez, se tornando um casamento de aparências. Patrus disputou as prévias do partido para candidato ao governo do estado com Fernando Pimentel, acabando vencedor, apesar de não ter conseguido viabilizar seu nome. Essa foi a primeira vez desde a fundação do PT mineiro, em 1980, que o partido não lançou candidato próprio ao Palácio da Liberdade. Este foi o custo da aliança nacional, com um aliado com muito tempo no horário da propaganda eleitoral, o que realmente importava. 
          A estratégia de Hélio Costa foi adotar o discurso da “continuidade aperfeiçoada”, algo parecido com a de José Serra. Contudo, sua imagem, repetida de eleições anteriores, está muito mais ligada ao passado que ao futuro. Hélio foi candidato ao governo de Minas em 1990 e 1994, perdendo ambas no segundo turno, a primeira para Hélio Garcia e a segunda após uma virada histórica de Eduardo Azeredo, em uma campanha que estava “quase ganha”.
          Em verdade, Hélio saiu na frente nas pesquisas mais devido à lembrança de seu nome, do que pela vinculação ao voto do eleitor. Por isso era previsível que a primeira posição nas pesquisas de intenção de voto não se sustentaria.
         No front contrário, Antônio Anastasia, candidato da continuidade, começou em baixa nas pesquisas mais pelo desconhecimento de sua pessoa do que por um possível descontentamento contra o governo estadual. Tal fato se alterou assim que começou os programas de rádio e televisão. Isso por que, assim como Lula teve papel essencial de apresentador e fiador de Dilma, coube a Aécio Neves o mesmo papel quanto a Anastasia.
          Aliás, em Minas o PSDB tem nome e sobrenome: Aécio Neves. Depois de conquistar a reeleição com tranqüilidade em 2006, quando foi eleito no primeiro turno, Aécio com um discurso consensual que consegue agregar eleitores de todas as alas ideológicas, voltou a mostrar força este ano. Tanto na disputa pelas cadeiras do Senado, quanto pelo governo do Estado, ele alcançou facilmente a vitória, aliado à contribuição dos adversários, PMDB e PT, que por conta da união forçada, relegou lideranças com maiores chances de vitória a segundo plano. Para se ter idéia, em todo o estado, Pimentel, candidato derrotado ao Senado pelo PT, obteve mais votos do que o peemedebista Hélio Costa que concorria ao governo. Sobrou desavenças, acordos e uniões que deverão ser tratadas "mineiramente" até 2012.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Recado que Vem das Urnas - SP, RJ, BA, DF

Neste post faremos uma rápida análise dos resultados dos governadores eleitos em alguns dos principais estados do País: São Paulo, Rio, Bahia e Distrito Federal. 
 Em São Paulo, Geraldo Alckmin confirmou sua vantagem, apesar de todo o esforço de Lula para terminar com a hegemonia do PSDB no estado. Mercadante não foi páreo, e agora sonha com a recompensa de uma posição no governo de Dilma. O PT em São Paulo continua sua real dicotomia: por um lado a ala paulista é a comandante do partido, por outro, não há atualmente nenhum nome realmente viável para o PT apontar nas próximas eleições. estaduais Terão que trabalhar os próximos anos para gestar candidatos nos ‘berços’ da Presidência da República. Ou, quem sabe, “em nome do projeto partidário” e como "questão de honra", caberá ao próprio Lula em 2014 a tarefa de destituir o rival PSDB do Palácio dos Bandeirantes.
 No Rio de Janeiro, Sérgio Cabral ganhou mais um mandato, assim como no caso da Bahia, onde Jaques Wagner também foi reeleito. Em ambos os casos, o ponto vital para os vencedores foi não ter concorrentes realmente fortes. No Rio, o opositor foi Fernando Gabeira, um candidato limitado à zona sul e a classe média-alta carioca. Na Bahia, Paulo Souto tentou demover a áurea 'carlista' de sua candidatura, contudo, sem sucesso. Enquanto Geddel Vieira, apesar de todo o carreamento de verbas para prefeituras do interior do estado, durante sua passagem pelo Ministério da Integração, não conseguiu transformar os recursos em votos, devendo visar agora a prefeitura de Salvador em 2012 a fim de manter o PMDB no comando.
A eleição no Distrito Federal foi um caso a parte. O candidato Joaquim Roriz, atingido pela lei da Ficha-Limpa, renunciou dias antes do primeiro turno, colocando a esposa Weslian Roriz em seu lugar. A “mãezona” Roriz fez tanta graça quanto o Tiririca, e ficou só nisso. Sem qualquer conteúdo, alcançou o ‘patamar natural’ de votos do marido, levando a eleição para o segundo turno. A Agnelo Queiroz bastou cumprir tabela e esperar o apito final, a vitória era garantida, e o humor também.

sábado, 20 de novembro de 2010

O Recado que Vem das Urnas - Brasil

          Passado o período eleitoral, e todas as emoções contraditórias que trazem consigo, cabe analisarmos seus resultados e tentar compreender o que as urnas nos “dizem”. 
       No nível federal, depois de uma campanha tensa, marcada mais pela agressividade que pelas propostas, a maioria da população escolheu pela continuidade, reflexo de dinheiro no bolso com certo conforto social, que é o que importa em última instância.
          A presidente eleita, Dilma Rousseff, vai encontrar pela frente desafios sérios e problemas antigos. Para cumprir a promessa de manter o crescimento acelerado e a redução da miséria, será obrigada a atacar barreiras que seguraram seus antecessores, incluindo o próprio Lula. Seu grau de autonomia e sucesso dependerá, assim, da equipe que consiga montar e do desempenho da economia nos primeiros momentos do novo governo.
          Como primeira mulher a assumir a cadeira presidencial no Brasil, espera-se o aumento da presença feminina em cargos de liderança no poder público, que ainda é tímida no país. Este efeito deve se refletir não somente em cargos indicados de chefia, como também nas urnas em futuras disputas eleitorais.
          A lição que fica para oposição é a de que a conjuntura momentânea é um dos fatores mais importantes em uma eleição. Em 2002 Serra era o candidato da continuidade, quando a população queria a mudança. Em 2010 Serra incorporou a mudança, enquanto o desejo da maioria era o da continuidade.
          Aliado ao erro estratégico, a terceira derrota consecutiva do bloco oposicionista demonstra o grande distanciamento das bases, por falta de conteúdo programático e renovação interna. O PSDB perdeu o eleitorado de menor renda – sobre o qual os “caciques” tinham antes forte influência –, para o PT, que se fixou nessa faixa de eleitorado nos oito anos de governo Lula. Dessa forma, a oposição, perdida e sem rumo, não consegue ampliar sua base de apoio para além das classes médias conservadoras, sobretudo de São Paulo e do Sul do país. Esse desnorteamento submeteu a oposição, e sua campanha errática, a uma derrota eleitoral e política. Assim, ao PSDB caberá provar ser capaz de representar interesses insatisfeitos que atualmente estão longe do poder. Pensando em 2012 e, especialmente, em 2014.