quarta-feira, 20 de julho de 2011

Livro: Jingles eleitorais e marketing político

Hoje, quando a tecnologia e as redes sociais permitem debates cada vez mais amplos a respeito da política, os candidatos precisam usar todas as armas possíveis para conquistar o eleitor. Entre elas, uma se destaca: o jingle. Verdadeiro símbolo das campanhas, o jingle bem feito pode ser decisivo para a conquista de uma vaga – seja na prefeitura, no governo estadual ou na presidência da República.
Partindo da importância do jingle como ferramenta, o mestre Carlos Manhanelli lança Jingles eleitorais e marketing político – Uma dupla do barulho (Summus Editorial, 248p., R$55,90). A obra realiza um estudo profundo das músicas de campanha veiculadas nas eleições presidenciais diretas entre 1930 e 2010.
Com origem no rádio do início do século XX, o jingle conquistou rapidamente as massas e logo provou seu poder de fogo. A transição para a TV se deu sem percalços e em poucas décadas a produção de músicas eleitorais se profissionalizou. Atualmente, não se fazem boas campanhas sem que sejam contratados profissionais especializados na criação de jingles eleitorais. “Para ser considerados bons, eles precisam, entre outras características, ter ritmo, melodia, emoção e adequar-se às características do eleitorado”, afirma Manhanelli.
O livro começa discutindo o conceito de marketing e fazendo distinção entre o marketing político e o eleitoral. Enquanto o primeiro tem objetivos de longo prazo, o segundo concentra-se no momento da campanha e busca atingir objetivos mais rapidamente. Em seguida, Manhanelli investiga as origens do jingle no Brasil e, na seqüência, analisa as campanhas presidenciais diretas realizadas entre 1930 e 2010, avaliando o contexto histórico de cada época, traça o perfil dos principais candidatos e reproduz os jingles mais famosos, analisando suas marcas discursivas. De Getúlio Vargas a Dilma Roussef, Manhanelli estabelece uma relação direta entre as boas músicas de campanha e as vitórias eleitorais, mostrando, ainda, erros cometidos.
Um mergulho na história da política brasileira, o livro conta com jingles magistrais de diversas campanhas, selecionados pelo autor ao longo de décadas de pesquisas. “Conhecer a forma como as campanhas são feitas é importante para a consolidação da democracia”, conclui o mestre Manhanelli.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Pra que tantos partidos?

Por partido podemos definir juridicamente como sendo uma organização de direito privado, formada por cidadãos com afinidades ideológicas e políticas, organizada e com disciplina, visando à disputa do poder político.
No período da ditadura militar (1964-1985), a Lei Falcão estabeleceu a existência do chamado bipartidarismo no Brasil, com a ARENA (Aliança Renovadora Nacional), favorável ao sistema governante; e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), que reunia, teoricamente, os opositores ao Regime. Com a abertura política, a partir de 1980, novos partidos foram fundados e outros saíram da clandestinidade.
Atualmente, o Brasil tem registrados 27 partidos em nível nacional., representando uma diversidade ideológica e, em alguns casos, a total inexistência desta. O cardápio “ideológico” vai do trivial esquerda-centro-direita a variações mais à “tailandesa”, como centrismo, ou algo igualmente “exótico”.
Contudo a máquina de disputa política, ou da representação popular, não pára ,e a prova disso é que neste momento tramita no Tribunal Superior Eleitoral a busca de registro para sete novos partidos, sendo que três deles parecem ter iniciado suas atividades no Ceará, ao menos consta o estado como local único de registro.
Entre as “novidades” temos o Partido do Esporte, do Consumidor (estamos precisando mesmo!), o Socialista Estudantil, o Partido Verde Amarelo, o Partido do Terceiro Setor (P3S. Que sigla hein?) e até retorno da velha UDN (União Democrática Nacional). Ufa! Quanta novidade e ideologias ao mesmo tempo.
Mesmo o Brasil sendo um país de dimensões continentais, será que com 27 partidos atuantes já não temos boa parte, ou quem sabe todas as correntes ideológicas contempladas? Ou será que existem outros interesses nesse negócio? A continuar esta “farra” da representação, chegará o tempo da criação do PE (Partido do Eleitor!)
A conta final é essa: 27 partidos registrados nacionalmente; 8 com processos nos TRE’S, mas pelo menos dois devem se legalizar para as próximas eleições; 30 iniciando ou em processo de constituição, e 8 agremiações sem registro. Resultado: Pra que?

Colaboração de Leurinbergue Lima, Especialista em Comunicação e Marketing, Consultor Político membro da ABCOP (Associação Brasileira de Consultores Políticos)