sexta-feira, 2 de setembro de 2011

NOVO SITE, NOVO BLOG

Obrigado pela sua visita ao nosso Blog.

Desde agosto de 2011, a STRATTEGY conta com um novo site, em que o Blog Strattegy tem seu espaço destacado.

Acesse: WWW.STRATTEGY.COM.BR/BLOG



Strattegy Comunicação & Marketing Político
Brasília/DF - Uberlândia/MG


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Livro: Jingles eleitorais e marketing político

Hoje, quando a tecnologia e as redes sociais permitem debates cada vez mais amplos a respeito da política, os candidatos precisam usar todas as armas possíveis para conquistar o eleitor. Entre elas, uma se destaca: o jingle. Verdadeiro símbolo das campanhas, o jingle bem feito pode ser decisivo para a conquista de uma vaga – seja na prefeitura, no governo estadual ou na presidência da República.
Partindo da importância do jingle como ferramenta, o mestre Carlos Manhanelli lança Jingles eleitorais e marketing político – Uma dupla do barulho (Summus Editorial, 248p., R$55,90). A obra realiza um estudo profundo das músicas de campanha veiculadas nas eleições presidenciais diretas entre 1930 e 2010.
Com origem no rádio do início do século XX, o jingle conquistou rapidamente as massas e logo provou seu poder de fogo. A transição para a TV se deu sem percalços e em poucas décadas a produção de músicas eleitorais se profissionalizou. Atualmente, não se fazem boas campanhas sem que sejam contratados profissionais especializados na criação de jingles eleitorais. “Para ser considerados bons, eles precisam, entre outras características, ter ritmo, melodia, emoção e adequar-se às características do eleitorado”, afirma Manhanelli.
O livro começa discutindo o conceito de marketing e fazendo distinção entre o marketing político e o eleitoral. Enquanto o primeiro tem objetivos de longo prazo, o segundo concentra-se no momento da campanha e busca atingir objetivos mais rapidamente. Em seguida, Manhanelli investiga as origens do jingle no Brasil e, na seqüência, analisa as campanhas presidenciais diretas realizadas entre 1930 e 2010, avaliando o contexto histórico de cada época, traça o perfil dos principais candidatos e reproduz os jingles mais famosos, analisando suas marcas discursivas. De Getúlio Vargas a Dilma Roussef, Manhanelli estabelece uma relação direta entre as boas músicas de campanha e as vitórias eleitorais, mostrando, ainda, erros cometidos.
Um mergulho na história da política brasileira, o livro conta com jingles magistrais de diversas campanhas, selecionados pelo autor ao longo de décadas de pesquisas. “Conhecer a forma como as campanhas são feitas é importante para a consolidação da democracia”, conclui o mestre Manhanelli.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Pra que tantos partidos?

Por partido podemos definir juridicamente como sendo uma organização de direito privado, formada por cidadãos com afinidades ideológicas e políticas, organizada e com disciplina, visando à disputa do poder político.
No período da ditadura militar (1964-1985), a Lei Falcão estabeleceu a existência do chamado bipartidarismo no Brasil, com a ARENA (Aliança Renovadora Nacional), favorável ao sistema governante; e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), que reunia, teoricamente, os opositores ao Regime. Com a abertura política, a partir de 1980, novos partidos foram fundados e outros saíram da clandestinidade.
Atualmente, o Brasil tem registrados 27 partidos em nível nacional., representando uma diversidade ideológica e, em alguns casos, a total inexistência desta. O cardápio “ideológico” vai do trivial esquerda-centro-direita a variações mais à “tailandesa”, como centrismo, ou algo igualmente “exótico”.
Contudo a máquina de disputa política, ou da representação popular, não pára ,e a prova disso é que neste momento tramita no Tribunal Superior Eleitoral a busca de registro para sete novos partidos, sendo que três deles parecem ter iniciado suas atividades no Ceará, ao menos consta o estado como local único de registro.
Entre as “novidades” temos o Partido do Esporte, do Consumidor (estamos precisando mesmo!), o Socialista Estudantil, o Partido Verde Amarelo, o Partido do Terceiro Setor (P3S. Que sigla hein?) e até retorno da velha UDN (União Democrática Nacional). Ufa! Quanta novidade e ideologias ao mesmo tempo.
Mesmo o Brasil sendo um país de dimensões continentais, será que com 27 partidos atuantes já não temos boa parte, ou quem sabe todas as correntes ideológicas contempladas? Ou será que existem outros interesses nesse negócio? A continuar esta “farra” da representação, chegará o tempo da criação do PE (Partido do Eleitor!)
A conta final é essa: 27 partidos registrados nacionalmente; 8 com processos nos TRE’S, mas pelo menos dois devem se legalizar para as próximas eleições; 30 iniciando ou em processo de constituição, e 8 agremiações sem registro. Resultado: Pra que?

Colaboração de Leurinbergue Lima, Especialista em Comunicação e Marketing, Consultor Político membro da ABCOP (Associação Brasileira de Consultores Políticos)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Comunicação e poder: A batalha pelas mentes

O ex-prefeito do Rio, Cesar Maia, estudioso do marketing político, publicou no último dia 11 em sua coluna na Folha de São Paulo artigo baseado no livro de Manuel Castells, “Comunicación y Poder”. Castells é um sociólogo espanhol ícone das pesquisas em comunicação política, sendo um dos autores mais citados na área.
Em seu livro, Castells aborda a “mudança da política pela transformação da comunicação”. Citando outros cânones do estudo da comunicação, como Herbert Marshall McLuhan (autor das expressões “impacto sensorial”, “o meio é a mensagem” e “aldeia global”), e John Thompson (autor da Teoria Social do Escândalo Político), Castells relata que a batalha pelas mentes ocorre por meio da comunicação, enquanto instrumento da construção do poder no campo da opinião pública. Um tanto óbvio, mas de fundamental importância para o entendimento da ciência do marketing político.
Abaixo o artigo de Cesar Maia na íntegra e o vídeo da palestra de Manuel Castells em que apresenta sua obra “Comunicación y Poder”. 

Indignados - Por Cesar Maia - Reproduzido da Folha de São Paulo de 11/06/2011
 Manuel Castells apresentou, em 2009, seu livro "Comunicación y Poder" numa conferência na Universidade Complutense de Madri. Trata da mudança da política pela transformação da comunicação.
 A construção do poder é a capacidade de atores sociais influenciarem outros, de maneira a reforçar o seu poder. Onde há poder existe contrapoder ou resistências às relações institucionalizadas.
 A batalha pelas mentes se joga na comunicação. Não é o Estado, e sim a comunicação, o instrumento básico de construção do poder. Castells diz que a emoção fundamental é o medo, que elimina o espírito crítico e foca, nos indivíduos, a busca por proteção.
 A informação que reforça o que uma pessoa pensa tem seis vezes mais probabilidade de ser registrada. Por isso, a imprensa vai atrás da opinião que as pessoas já têm. A comunicação cria o campo das mudanças na opinião pública. Isso não quer dizer que se siga a mídia − que constrói os espaços públicos. As pessoas opinam sobre o que é divulgado.
 Informações omitidas pela mídia restringem o espaço público do debate. A audiência é ativa, mas se dá no espaço público do que é divulgado. Grave é o que a mídia omite.
 Política sem comunicação de massa não chega ao público. A mídia não é detentora de poder, mas formadora dos espaços onde se constrói o poder. A comunicação política requer mensagens simples e poderosas. O mais simples é o rosto humano. O mais poderoso é a confiança.
 A estratégia fundamental na disputa pelo poder é destruir a confiança numa pessoa ou num partido. Quem não participa de tal jogo não está na política.
 Essa disputa é a política do escândalo. São batalhas pelo poder simbólico onde se joga reputação e confiança. Mas o excesso gera fadiga do escândalo que termina igualando a todos e desprestigiando o sistema político. A correlação entre corrupção percebida e descrédito nos políticos é clara.
 Hoje, o jogo do poder depende também das novas mídias, via internet e celular, que são redes horizontais ou autocomunicação de massa.
 O sistema se abre a mensagens de todo tipo, individuais e de movimentos sociais. Estes atuam sobre valores sem objetivar o poder, e estão fora da sociedade civil organizada.
 Aqui surgem práticas políticas insurretas, movimentos espontâneos dos indignados, que até desestabilizam governos. Passam por cima dos partidos e das regras do jogo. É a cultura da indignação. Os indignados que não atuavam na política entram no jogo.
 O espaço público está sendo reconstituído fora das instituições. As condições de mudança se produzem nesse novo espaço da comunicação. É a sociedade fora dos partidos e dos sindicatos. Esse é o mundo do poder e da mudança.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Há campanha sem recursos financeiros?

Uma campanha eleitoral necessita de recursos humanos, materiais e financeiros. Dentre esses, o financeiro é o mais importante por ser precedente aos demais. Mesmo a mais idealista das campanhas precisa de dinheiro para se viabilizar. A frase é forte, impiedosa e categórica, pois afronta a visão romântica de política, trazendo-a das alturas dos ideais para o mundo dos interesses materiais. Não se trata, porém, de contrastar a política do ideal contra a política do interesse.
Mesmo a mais idealista das candidaturas necessita de recursos financeiros para se viabilizar, assim como a campanha mais interesseira necessitará de uma mensagem nobre para vencer.
A raiz da questão, impossível de ser ignorada, é o fato de que qualquer campanha eleitoral tem custos. Sem meios financeiros para cobrir esses custos, não há campanha, ou, na melhor das hipóteses, não conseguirá superar o modesto estágio inicial, realizado por parentes e amigos, de maneira amadora.
O dinheiro tem o poder de converter-se em recursos de campanha (publicidade, transporte, contratação de profissionais, pesquisas, comitês, apoio ao trabalho de voluntários, etc). Somente com dinheiro a maioria das necessidades da campanha poderá ser provida. Além disso, uma campanha moderna e profissionalizada não dispensa a contratação de especialistas, que demandam investimentos. Por essa razão, é indispensável.
Dessa forma, levantar fundos para financiar a campanha, assim como planejar os gastos, são as primeiras atividades mais importantes de qualquer campanha, pela simples razão de que tudo o mais que se pretenda fazer vai depender da existência ou não de recursos. Dinheiro não ganha eleição, mas sem dinheiro não há campanha.
O dinheiro é o oxigênio da campanha eleitoral. Na falta dele, tudo o mais entra em colapso. Aliás, um dos sinais visíveis de que uma campanha "começou mal" é a falta de recursos para bancar as despesas iniciais.
Contudo, que fique bem claro, muito dinheiro não salva um candidato ruim, com uma campanha ineficiente que, desprovida de estratégia, aplique mal os recursos que dispõe. Embora pouco dinheiro faça milagres com um bom candidato em uma campanha competente. Neste caso, a quantidade de dinheiro a gastar é menos importante que como se gastar.  Exemplos de sobra confirmam tais afirmativas.
Uma campanha, pois, não precisa ser rica para ter sucesso. O que importa é contar com os recursos necessários para financiar sua estratégia política e comunicacional. Disputar uma campanha sem recursos é, portanto, uma forma de perder a eleição por antecipação. Não há campanha sem custos, daí a advertência que "sem dinheiro, melhor nem tentar".

(Adaptado de politicaparapoliticos.com.br – Em “Campanha”)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O planejamento estratégico em campanha eleitoral


Seja qual for o tamanho de uma campanha, todas necessitam de um processo de planejamento estratégico como instrumento de marketing que estabeleça as ações mais importantes a serem realizadas, ou seja, a série de passos necessários para se alcançar a vitória eleitoral.
O planejamento estabelece os elementos imprescindíveis para a organização da campanha, justificados por uma seqüência lógica de atividades que evite possíveis erros e o desperdício de recursos e oportunidades. Trata-se de reduzir ao máximo as incertezas, gerando maior eficiência e competitividade, especialmente quando os recursos financeiros são escassos, fato comum nas campanhas eleitorais brasileiras. Nestes casos, o planejamento se torna mais do que necessário, pois à medida que os recursos são poucos, é preciso maximizar os efeitos de seu uso.
O planejamento estratégico de campanha é o processo gerencial que visa a coesão entre objetivos e ferramentas, de acordo com os riscos e oportunidades do mercado eleitoral. Para que tenha sentido, é necessário transformar as idéias em algo tangível, e é daí que surge o Plano de Campanha, documento que contém as diretrizes básicas que fixam o curso das ações.
O objetivo é propiciar que todas as atividades estejam inseridas no contexto do Plano, que tenham razão de ser e se definam perfeitamente a que se dirigem. Assim, em uma campanha, nenhuma ação deve ser casual ou proveniente de “receitas mágicas”, pois ao fazer parte de um todo, requer a maior racionalidade possível. 
O Plano de Campanha contendo, dentre outros, o organograma, o cronograma e orçamento geral, se converte na etapa estratégica que guiará cada passo que deve ser dado, pois define o que se tem, o que se necessita e como otimizar os recursos da campanha (pessoal, financeiro, material e tempo). Para que seja exitoso, deve conter ainda a incorporação de análises, pesquisas e diagnósticos, que embasarão estrategicamente as ações desenvolvidas. Com a flexibilidade necessária para ajustar-se às circunstâncias e conjunturas, aproveitando oportunidades e corrigindo erros que possam surgir durante o processo.
Todas as fases de um Plano de Campanha terão um sentido racional que, sem ações casuais, terá como característica o profissionalismo, e não a improvisação que gera perdas e derrotas. Pois caso não haja a clareza necessária de onde se está situado e onde se quer chegar, a improvisação invariavelmente acabará por ocorrer, ficando a campanha à mercê da sorte, com resultados em sua maioria desastrosos.
Em um cenário em que cada vez mais é crescente a profissionalização das campanhas políticas em todos os níveis, implica na crescente necessidade do planejamento estratégico e do marketing eleitoral como armas do processo democrático. Também por esse motivo, o planejamento estratégico se coloca como algo irreversível, que separa a forma como eram feitas as campanhas de antigamente com a consolidação da moderna prática de campanhas que são gerenciadas por meios e técnicas científicas manejadas por especialistas.
Neste contexto, onde a comunicação política é definida mediante elementos gerenciais de posicionamento a partir do sistema de informação de marketing eleitoral, o tempo se torna peça fundamental, em que na imensa maioria das vezes o vencedor é aquele que mais antecipadamente inicia seu planejamento de campanha de maneira profissional e eficiente.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Ao mestre com carinho

Através do meu avô Santinho Barreto, conheci José Alencar no início dos anos 90. Aliás, cabe o registro de que   a primeira eleição disputada e vencida por José Alencar, dentre muitas que estariam por vir, foi na Associação Comercial de Ubá,  na década de 50. Apoiado pelo Santinho, tornou-se seu sucessor na presidência da associação. História que ouvi por diversas vezes muitos anos depois, com riqueza de detalhes.
Aos dez anos de idade, lembro-me de conversar com uma figura alta, de fala forte e face séria. Tive a honra de presenciar encontros que na maioria das vezes tinha a política como tema, onde se discutia desde questões pequenas aos grandes problemas econômicos do Brasil. Presente no lançamento da pedra fundamental do complexo esportivo e educacional do SESI e posteriormente na sua inauguração em Ubá, percebi ser aquela figura, então presidente da FIEMG, uma pessoa realmente à frente de seu tempo.
Durante a campanha ao governo em 1994, mesmo sabendo da previsível derrota, lutou até o fim, com o discurso gerencial, da necessidade da visão empresarial austera na política, tão em voga ultimamente. A terceira colocação, no entanto, não foi motivo de raiva, nem empecilho para que a veia política sobressaísse, fato comum entre aqueles que enfrentam o primeiro - e na maioria das vezes único - revés nas urnas.
Então veio a campanha de 1998, como um turbilhão que espalhou por toda Minas Gerais um jingle marcante em que se cantava que “o quinze do Zé Alencar, era o quinze pra Minas ganhar!”. E ganhou! O Senador mais votado na história de Minas, até então, iria finalmente poder prestar seus conhecimentos empresariais à política brasileira. No Senado defendeu a redução da carga tributária, que chamava de “um cipoal de impostos” e os famosos juros! Sim, a batalha contra os juros era antiga. Nos anos de Senado construiu a fama de bom gestor e grande político. Inteligente e altivo, com o "jeito mineiro de ser" soube esperar o momento certo e articular da melhor forma para atingir objetivos. Fato que levou ao convite para ser o Vice de quatro candidaturas presidenciais distintas. A "noiva" que todos os partidos e candidatos queriam.
Escolhendo e escolhido, foi a representação do capital na chapa vitoriosa que uniu o trabalhador e o patrão. Lula e Alencar, com biografias semelhantes, formaram em 2002 a dupla certa, na hora certa, com o discurso ideal que permitiu a vitória nas urnas após três tentativas consecutivas frustradas da oposição.
Veio então, em 2004, o convite para que eu fizesse parte de sua assessoria. Ao me questionar sobre quando poderia estar em Brasília, respondi de pronto: ontem. E assim foi feito. Desde agosto daquele ano tive a honra e a oportunidade de conviver proximamente de um auto-ditada e expert, que debatia com autoridade sobre qualquer assunto, do alto da complexidade da teoria política macroeconômica à escalação da seleção brasileira de 58. Onde cada conversa se tornava uma verdadeira aula, de história a geografia, de português a economia. Aulas de política, de empreendedorismo, de causos, de vida, de otimismo, de esperança e perseverança.
A doença não o abatia, uma semana após cirurgias problemáticas e demoradas, já estava de volta ao trabalho, na labuta diária de oito da manhã às oito da noite, na maioria das vezes até mais. A mesma fibra utilizada para derrotar a pobreza em Itamuri era apresentada ao Brasil para encarar uma doença grave, o câncer.
O trabalho, que iniciou muito cedo, - juntamente com as preces, cartas e orações que recebia numerosas diariamente - lhe segurou na batalha, por vezes inglória, sem, no entanto, reclamar ou fraquejar. Pelo contrário, a cada internação, saía com um bom humor de quem tivera a notícia da vida eterna. E assim, alimentávamos a esperança de que poderia ser verdade.
Contado causos, brincando e cantando, reunia em uma forte corrente positiva os brasileiros que enfrentam lutas diárias pela sobrevivência. Na idade em que muitos já teriam se entregado, servia de exemplo àqueles que passavam por problemas parecidos, ou mesmo àqueles que fazem de pequenos problemas grandes obstáculos.
Sua batalha o fez se tornar íntimo de todos os brasileiros, que nele tinham o exemplo de garra, determinação, força e otimismo, fazendo aumentar ainda mais a admiração dos mais próximos, que, assim como eu, tiveram a honra de conviver com a figura de um iluminado. Mais do que exemplo inspirador, uma verdadeira lição de vida.
Raros sãos os humanos que conseguem o que ele conseguiu. Foi um vitorioso em tudo que fez, galgou com dignidade as dificuldades para chegar ao topo da consagração de um grande homem, ao construir ao lado de Dona Mariza uma grande família, aglutinar amigos, erguer um império como empreendedor e alcançar o poder político. Tudo com humildade, honradez e fidelidade indelével.
Certa vez, Lula, ao discursar em homenagem ao Vice-Presidente, quando este recebia o título de presidente emérito da FIESP, único mineiro a ganhar tal distinção, disse: “Existem muitos empresários, políticos, mas não existe a possibilidade de ter um outro José Alencar.”
Um homem submetido aos desígnios de Deus, líder alçado ao posto não por pretendê-lo, mas por merecimento. Um obstinado, que cumpriu sua missão ao ensinar o que é coragem e persistência na luta pela vida e pelo desenvolvimento do país, desde Ubá para o mundo, que servirão de exemplo para todas as gerações e o farão eterno no coração dos brasileiros. Parte para a eternidade, deixando sua grandiosa lição no livro da História dos Empreendimentos e da Política, com “P” maiúsculo.  Obrigado Presidente.

Leandro Grôppo
 

quarta-feira, 23 de março de 2011

Obama: Um show de marketing

      A tão comentada visita do presidente norte-americano Barack Obama ao Brasil foi um verdadeiro espetáculo de marketing. Discursos impecáveis, palavras, gestos e expressões milimetricamente pensados para dar ênfase à expressão semântica. Tudo visto e revisto por um batalhão de assessores, seguranças e equipes de apoio que garantiram o oferecimento daquilo que o brasileiro gostaria de ver.
      Não devemos, contudo, tirar o crédito de Obama. O homem é um verdadeiro showman. Sabe muito bem articular as palavras, se posicionar e se expressar de forma clara e objetiva. Seu tom de voz passa firmeza e sobriedade que, em conjunto com o sorriso largo e franco, acabam por cativar o público esbanjando carisma e simpatia, conquistando a platéia com a imagem de herói e líder-charme.
      É claro que não podia deixar de faltar algumas artimanhas comumente utilizadas para esta "conquista de corações", como receber a camisa de times de futebol e dizer algumas palavras em português. Tática muito usada por famosos cantores internacionais quando em viagens pelo país.
      Como bem disse o professor e articulista Gaudêncio Torquato, a visita de Obama ao Brasil foi, nada mais nada menos, que um grande show de Relações Públicas. Um verdadeiro abraço ao povo brasileiro. Uma ação estrategicamente calculada para iniciar a reversão da rejeição até então crescente em todo o mundo contra os Estados Unidos. A visita, portanto, sob esse prisma foi bem sucedida.
      Sob o âmbito das coisas concretas, entretanto, chegou perto de zero. O Brasil tem reivindicações imediatas: assento no Conselho de Segurança da ONU e dispensa de visto para brasileiros em viagem aos EUA. Sobre isso, nada. Apenas rápida menção de intenções futuras. Do lado norte-americano, os interesses comerciais eram claros, especialmente a respeito das oportunidades do pré-sal e da venda dos aviões militares da Boeing ao Brasil, com cifras na casa dos 10 bilhões de dólares.
      Para Dilma, restou um grande trunfo de formação de imagem. Desde a posse ela vem agindo para converter traços de sua personalidade num ativo político que a diferencie do ex-presidente Lula. E a política externa é parte dessa estratégia. Nesta questão, a passagem relâmpago de Obama pelo país é celebrada como um divisor de águas. Opera-se uma guinada que distancia Dilma da visão “terceiro-mundista” de Lula. Sem renegar África e Oriente Médio, a nova gestão prioriza América do Sul, EUA e China como principais parceiros, em um pragmatismo comercial em detrimento do ideológico. Neste contexto, a imagem de que agora é a Casa Branca que se interessa pelo Brasil, significa importante reconhecimento do novo status que o país - e sua presidente - adquiriu no mundo.
      Em termos práticos, a visita de Obama não produziu nada além de um comunicado de intenções conjuntas. No campo do marketing, porém, injetou na atmosfera uma aura de prestígio que coroa as estratégias de ambos os lados.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Marketing Político: Entre o profissionalismo e a solução caseira

        Muitas vezes políticos e candidatos são levados a adotar uma “solução caseira” em sua comunicação de campanha ou de mandato. Por solução caseira entende-se o uso de pessoas com algum conhecimento de jornalismo, publicidade ou marketing, disponíveis gratuitamente ou por um valor irrisório, trabalhando amadoristicamente com equipamentos domésticos, baixa informação em uma equipe improvisada, sem experiência de campanhas e sem autoridade para contrariar o político/candidato, mesmo quando esse está errado.
        Há candidatos que se recusam a contratar profissionais externos, seja por uma ilusória economia, seja pela falta de conhecimento dos possíveis benefícios. Para eles, a mão-de-obra local é mais que suficiente para conduzir uma campanha. Contudo, com o processo de modernização das campanhas políticas, esta atitude intransigente certamente custará caro.
        Certas técnicas e procedimentos de campanha, ou são garantidos na sua idoneidade e qualidade por profissionais com conhecimentos específicos, ou é melhor não praticá-las. Soluções caseiras, via de regra, não possuem a experiência e o conhecimento especializado para definir questões como o posicionamento da candidatura, pesquisas de opinião ou o foco  temático da comunicação publicitária, aspectos fundamentais da estratégia e do marketing político. 
        É importante não se confundir campanhas caras com campanhas vitoriosas, atribuindo uma relação de causa e efeito entre os dois atributos. A vitória abençoa o bom candidato, preparado, comunicativo; a campanha moderna, eficaz; a comunicação focada e a estratégia inteligente.
        Portanto, mesmo campanhas com poucos recursos podem, e devem, alcançar estas metas para vencer. Por outro lado, por mais rica que seja a campanha, não se conseguirá eleger um candidato ruim com uma estratégia mal feita.
        O problema da “solução caseira” é que ela sacrifica a eficiência de uma campanha com recursos modestos, que estava ao seu alcance, pela “economia ilusória”. Trata-se, como se vê, de um conceito de economia vulgar, simplório e basicamente equivocado.
        Deve-se tomar muito cuidado, pois, com soluções aparentemente simples e baratas. Elas existem, mas não podem ser encaradas como uma panacéia. Há áreas que a campanha tem que trabalhar com um mínimo de profissionalismo, até mesmo para que os recursos que nela foram aplicados possam produzir os resultados e efeitos esperados.
        É preciso ter a consciência de que a solução caseira pode ser a mais barata, em compensação, é também a menos eficiente. Afinal, não há nada mais caro em política do que a derrota.

(Adaptado de politicaparapoliticos.com.br – Em “A publicidade em ação”)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Amnésia eleitoral e reforma política

        A constituição brasileira ao estabelecer a obrigatoriedade do voto cometeu conscientemente um grande paradoxo democrático: tornou um “direito” em “dever”. Dessa forma, em sendo obrigatório, deixa de ser democrático e passa a ser autoritário, imperioso. Mas esta não é a discussão que queremos aqui levantar, e sim, sobre uma de suas conseqüências.
        Ao ser obrigado a votar, o ‘eleitor médio’ acaba por não fazer uma decisão consciente, seletiva. Ou seja, a escolha eleitoral, em sua maioria, não é qualitativa, comprometida, sendo muitas vezes definida no caminho até a seção, ou quiçá, na frente da própria urna (daí o motivo da prática da “boca de urna” por parte dos candidatos).
        Tal fato se torna ainda mais concreto quando a função dos cargos em disputa é desconhecida pelo eleitor. Pesquisas revelam que o bordão usado pelo deputado federal eleito, Tiririca, ao dizer ironicamente “você sabe o que faz um deputado? Não? Nem eu!”, é a mais pura verdade. Esse desconhecimento das funções e, conseqüentemente dos benefícios sociais que deveriam ser esperados daquele representante, aliado ao descrédito da atividade política, levam o ‘eleitor médio’ a fazer escolhas que são esquecidas muito brevemente.
        Pesquisa do TSE realizada em novembro de 2010, apenas um mês após as eleições, constatou que um em cada cinco eleitores não se lembrava mais em quem havia votado para deputado! Confirmando a tese, além do esquecimento do voto, parcela significativa dos entrevistados admitiu ser mal informada sobre o papel a ser desempenhado pelos eleitos: 42% disseram não saber o que faz um senador e 40% não sabem a função dos deputados, federal ou estadual. O levantamento mostrou ainda que 46% revelaram pouco ânimo para exercer o “direito ao voto”.
        Passados mais alguns meses, não é difícil encontrar eleitores que já não se lembram em quem votou. Assim, por não se lembrar em quem votou, o eleitor não poderá cobrar as propostas de campanha do candidato. Com a falta de acompanhamento ao longo do mandato, diminui a cobrança sobre os parlamentares, completando-se o ciclo da amnésia eleitoral, até a próxima eleição, quando a epidemia já atinge de 70% a 80% dos eleitores.
        O remédio? Entre distribuir “memorol” maciçamente para a população ou mudar o sistema político brasileiro, a medida mais eficaz é modificar as regras eleitorais. Para isso, a reforma é o caminho para reduzir a distância que separa o povo da esfera política, possibilitando o aumento da memória social, sem prejuízos para a saúde pública.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A tática Tiririca

          Muitos se espantaram com a quantidade de votos obtida pelo humorista Tiririca em sua candidatura a Deputado Federal por São Paulo pelo PR. Foram exatos 1.353.820 votos, nesta que foi sua primeira disputa eleitoral.
          Discute-se a razão de uma figura, até então inexpressiva na política, e sem qualquer trabalho anterior, consiga amealhar quantidade tão significativa de votos, a ponto de ser o deputado mais votado do Brasil em números absolutos. Para se ter uma idéia do feito, no estado de São Paulo, que possui o maior eleitorado do país (30 milhões de eleitores), o segundo mais votado para o cargo foi Gabriel Chalita (PSB), ex-secretário de educação do estado, ex-vereador da capital paulista e com forte vinculação à igreja católica, obteve 560.022 votos, número bastante expressivo se considerarmos que do 3º ao 14º lugares tiveram votação na casa dos duzentos mil. Ou seja, Tiririca obteve mais que o dobro de votos em relação ao segundo colocado, sendo que este segundo teve também mais que o dobro do terceiro. Um verdadeiro fenômeno! Será?..
          Em verdade, tudo isso não foi surpresa para seu partido e sua coligação. Em todas as eleições para cargos legislativos, especialmente para Câmara dos Deputados, muitos partidos utilizam de figuras conhecidas do eleitorado, vindas de outros setores, principalmente do meio artístico e esportivo, para elevar o número de partidários eleitos. Pois, com maior bancada, tem-se mais recursos do fundo partidário (a divisão é feita de acordo com a votação da legenda), mais prestígio e consequentemente maior poder de barganha política.
          Explica-se: ao contrário das eleições para cargos executivos (presidente, governador e prefeito) que são majoritárias, onde aquele que consegue a maioria dos votos é o vencedor, nas eleições para o legislativo a votação é proporcional, ou seja, elege-se pela proporção de votos dada a todos os candidatos da coligação. Dessa forma, se um candidato teve boa votação, mas seus companheiros de chapa não obtiverem bons resultados, fazendo com que a coligação não alcançasse o número mínimo de votos para eleger ao menos um representante, o bem votado estará fora. Por outro lado, em coligações que se utilizam de um “puxador-de-votos” que obtenha votação expressiva, a “sobra” de sua votação serve para eleger outros que não conseguiriam atingir a quantidade mínima somente com sua votação pessoal. Por exemplo, a votação de Tiririca foi capaz de eleger outros cinco candidatos que não conseguiriam se eleger “sozinhos”.
          Esta é a estratégia dos partidos ao buscarem “candidatos celebridades”. Os eleitores, em sua maioria desiludidos com os políticos tradicionais e suas práticas, e sem entender para que serve um deputado, acabam por transformar seu voto em uma resposta de protesto a chacota diária dos noticiários. Assim, o desconhecimento da mecânica eleitoral expande, a cada pleito, a leva de oportunistas e do estapafúrdio espetáculo eleitoral. Portanto, casos como Enéas em 2002, Clodovil em 2006, Tiririca em 2010, dentre outros, não são novidade no meio político. Onde, muitas vezes, vota-se no que se vê e elege-se o que não vê.